quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Proposições do Sinodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização - 2012


SYNODUS EPISCOPORUM

XIII ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS

MENSAGEM AO POVO DE DEUS (*)

 

Irmãos e irmãs

«graça a vós e a paz de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo» (Rm 1, 7). Bispos provenientes de todo o mundo, reunidos a convite do Bispo de Roma o Papa Bento XVI para reflectir sobre «a nova evangelização para a transmissão da fé cristã», antes de regressar às nossas Igrejas particulares, queremos dirigir-nos a todos vós, para apoiar e orientar o serviço ao Evangelho nos diversos contextos no qual nos encontramos hoje a dar testemunho.

1. Como a samaritana no poço

Deixemo-nos iluminar por uma página do Evangelho: o encontro de Jesus com a mulher samaritana (cf. Jo 4, 5-42). Não há homem nem mulher que, na sua vida, não se encontre, como a mulher da Samaria, ao lado de um poço com uma ânfora vazia, na esperança de encontrar que seja satisfeito o desejo mais profundo do coração, o único que pode dar significado pleno à existência. Hoje são muitos os poços que se oferecem à sede do homem, mas é preciso discernir para evitar águas poluídas. É urgente orientar bem a busca, para não ser vítima de desilusões, que podem arruinar. Como Jesus no poço de Sicar, também a Igreja sente que se deve sentar ao lado dos homens e mulheres deste tempo, para tornar presente o Senhor na sua vida, para que o possam encontrar, porque só o seu espírito é a água que dá a vida verdadeira e eterna. Só Jesus é capaz de ler no fundo do nosso coração e de nos revelar a nossa verdade: «Disse-me tudo o que fiz», confessa a mulher aos seus concidadãos. E esta palavra de anúncio — à qual se junta a pergunta que abre à fé: «Será Ele o Cristo?» — mostra como quem recebeu a vida nova do encontro com Jesus, por sua vez não pode deixar de se tornar anunciador de verdade e de esperança para os outros. A pecadora convertida torna-se mensageira de salvação e conduz a Jesus toda a cidade. Do acolhimento do testemunho o povo passará à experiência pessoal do encontro: «Já não é pelas tuas palavras que nós cremos, mas porque nós mesmos ouvimos e sabemos que Ele é deveras o salvador do mundo».

2. Uma nova evangelização

Guiar os homens e as mulheres do nosso tempo a Jesus, ao encontro com Ele, é uma urgência em todas as regiões do mundo, de antiga e de recente evangelização. De facto, em toda a parte se sente a necessidade de reavivar uma fé que corre o risco de se ofuscar em contextos culturais que obstam à sua radicação pessoal e a presença social, a clareza dos conteúdos e os frutos coerentes.

Não se trata de começar tudo do início, mas — com o ânimo apostólico de Paulo, o qual chega a dizer: «Ai de mim se não anuncio o Evangelho!» (1 Cor 9, 16) — mas de se inserir no longo caminho de proclamação do Evangelho que, desde os primeiros séculos da era cristã até aos nossos dias, percorreu a história e edificou comunidades de crentes em todas as partes do mundo. Pequenas ou grandes, elas são o fruto da dedicação de missionários e de muitos mártires, de gerações de testemunhas de Jesus às quais vai o nosso pensamento reconhecido.

Os mudados cenários sociais, culturais, económicos, políticos e religiosos chamam-nos a algo novo: a viver de modo renovado a nossa experiência comunitária de fé e o anúncio, mediante uma evangelização «nova no seu fervor, nos seus métodos, nas suas expressões» (João Paulo II, Discurso à XIX Assembleia do Celam, Port-au-Prince, 9 de Março de 1983, n. 3), como disse João Paulo II, uma evangelização que, recordou Bento XVI, se dirige «principalmente às pessoas que, mesmo sendo baptizadas se afastaram da Igreja, e vivem sem fazer referência à prática cristã [...], para favorecer nestas pessoas um novo encontro com o Senhor, o único que enche de significado profundo e de paz a nossa existência; para favorecer a redescoberta da fé, nascente de graça que dá alegria e esperança à vida pessoal, familiar e social» (Bento XVI, Homilia na Celebração eucarística para a solene inauguração da XIII Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, Roma, 7 de Outubro de 2012).

3. O encontro pessoal com Jesus Cristo na Igreja

Antes de dizer algo acerca das formas que esta nova evangelização deve assumir, sentimos a exigência de vos dizer, com profunda convicção, que a fé se decide toda na relação que instauramos com a pessoa de Jesus, o primeiro que vem ao nosso encontro. A obra da nova evangelização consiste em repropor ao coração e à mente, não poucas vezes distraídos e confundidos, dos homens e das mulheres do nosso tempo, antes de tudo a nós mesmos, a beleza e a novidade perene do encontro com Cristo. Convidamo-vos todos a contemplar o rosto do Senhor Jesus Cristo, a entrar no mistério da sua existência, doada por nós até à cruz, reconfirmada como dom do Pai na sua ressurreição dos mortos e comunicada a nós mediante o espírito. Na pessoa de Jesus, revela-se o mistério do amor de Deus Pai por toda a família humana, que ele não quis deixar à deriva da própria autonomia impossível, mas reuniu em si num renovado pacto de amor.

A Igreja é o espaço que Cristo oferece na história para o poder encontrar, porque ele lhe confiou a sua Palavra, o Baptismo que nos torna filhos de Deus, o seu Corpo e o seu sangue, a graça do perdão do pecado, sobretudo no sacramento da Reconciliação, a experiência de uma comunhão que é reflexo do próprio mistério da Santíssima Trindade, a força do Espírito que gera caridade para com todos.

É necessário dar forma a comunidades acolhedoras, nas quais todos os marginalizados encontrem a sua casa, a experiências concretas de comunhão que, com a força ardente do amor — «Vede como se amam!» (Tertuliano, Apologetico, 39, 7) — atraiam o olhar desencantado da humanidade contemporânea. A beleza da fé deve resplandecer, sobretudo, nas acções da sagrada Liturgia, antes de tudo na Eucaristia dominical. Precisamente nas celebrações litúrgicas a Igreja revela de facto o seu rosto de obra de Deus e torna visível, com as palavras e os gestos, o significado do Evangelho.

Depende de nós tornar concretamente acessíveis experiências de Igreja, multiplicar os poços para os quais convidar os homens e as mulheres sequiosos e ali fazer com que encontrem Jesus, oferecer oásis nos desertos da vida. Por isto são responsáveis as comunidades cristãs e, nelas, cada discípulo do Senhor: a cada um está confiado um testemunho insubstituível, para que o Evangelho possa cruzar a existência de todos; por isto nos é pedida a santidade de vida.

4. As ocasiões do encontro com Jesus e a escuta das Escrituras

Haverá quem pergunte como fazer tudo isto. Não se trata de inventar sabe-se lá quais novas estratégias, como se o Evangelho fosse um produto pala lançar no mercado das religiões, mas de redescobrir os modos como, na vicissitude de Jesus, as pessoas se aproximaram dele e por ele foram chamadas, para inserir aquelas mesmas modalidades nas condições do nosso tempo.

Recordemos como por exemplo Pedro, André, Tiago e João foram interpelados por Jesus no contexto do seu trabalho, como Zaqueu tenha podido passar da simples curiosidade para o calor da partilha da mesa com o Mestre, como o centurião romano tenha pedido a sua intervenção por ocasião da doença de uma pessoa querida, como o cego de nascença o invocou como libertador da própria marginalização, como Marta e Maria viram premiadas pela sua presença a hospitalidade da casa e do coração. Poderíamos ainda prosseguir, repercorrendo as páginas dos evangelhos e encontrando muitos outros modos como a vida das pessoas se abriu em condições diversas à presença de Cristo. E poderíamos fazer o mesmo com quanto narram as Escrituras acerca das experiências missionárias dos apóstolos na Igreja primitiva.

A leitura frequente das Sagradas Escrituras, iluminada pela Tradição da Igreja, que no-las entrega e delas é a sua intérprete autêntica, não só é uma passagem obrigatória para conhecer o conteúdo do Evangelho, isto é, a pessoa de Jesus no contexto da história da salvação, mas ajuda também a descobrir espaços de encontro com ele, modalidades deveras evangélicas, radicadas nas dimensões de fundo da vida do homem: a família, o trabalho, a amizade, as pobrezas e as provações da vida, etc.

5. Evangelizar-nos a nós mesmos e predispormo-nos à conversão

Mas ai de quem pense que a nova evangelização não nos diz respeito em primeira pessoa. Nestes dias várias vezes entre nós, Bispos, se levantaram vozes a recordar que, para poder evangelizar o mundo, a Igreja deve antes de tudo pôr-se à escuta da Palavra. O convite a evangelizar traduz-se num apelo à conversão.

Sentimos sinceramente que devemos converter em primeiro lugar a nós mesmos ao poder de Cristo, o único capaz de renovar todas as coisas, antes de tudo as nossas pobres existências. Devemos reconhecer com humildade que as pobrezas e as debilidades dos discípulos de Jesus, sobretudo dos seus ministros, pesam sobre a credibilidade da missão. Certamente estamos cientes, nós Bispos primeiro, que nunca podemos estar à altura da chamada por parte do Senhor e da entrega do seu Evangelho para o anúncio às nações. Sabemos que devemos reconhecer humildemente a nossa vulnerabilidade às feridas da história e não hesitemos em reconhecer os nossos pecados pessoais. Estamos também convencidos de que a força do Espírito do Senhor pode renovar a sua Igreja e tornar esplendorosa a sua veste, se nos deixarmos plasmar por ele. Mostram-no as vidas dos santos, cuja memória e narração é instrumento privilegiado da nova evangelização.

Se esta renovação estivesse confiada às nossas forças, haveria sérios motivos para duvidar, mas a conversão, como a evangelização, na Igreja não tem como actores principais a nós pobres homens, mas o Espírito do Senhor. Consiste nisto a nossa força e a nossa certeza de que o mal nunca terá a última palavra, nem na Igreja nem na história: «Não se perturbe o vosso coração e não receeis», disse Jesus aos seus discípulos (Jo 14, 27).

A obra da nova evangelização repousa sobre esta certeza serena. Temos confiança na inspiração e na força do Espírito, que nos ensinará o que devemos dizer e fazer, até nos momentos mais difíceis. Mas é nosso dever vencer o medo com a fé, o aviltamento com a esperança, a indiferença com o amor.

6. Colher no mundo de hoje novas oportunidades de evangelização

Esta coragem serena ampara também o nosso olhar sobre o mundo contemporâneo. Não nos sentimos atemorizados pelas condições dos tempos que vivemos. O nosso é um mundo cheio de contradições e de desafios, mas permanece criação de Deus, ferido sim pelo mal, mas sempre um mundo que Deus ama, terreno seu, no qual pode ser renovada a sementeira da Palavra para que volte a dar fruto.

Não há espaço para o pessimismo nas mentes e nos corações daqueles que sabem que o seu Senhor venceu a morte e que o seu Espírito age com poder na história. Com humildade, mas também com decisão — a que vem da certeza de que a verdade no final vence — nos aproximamos deste mundo e nele queremos ver um convite do Ressuscitado a ser testemunhas do seu Nome. A nossa Igreja é viva e enfrenta com a coragem da fé e o testemunho de muitos seus filhos os desafios apresentados pela história.

Sabemos que devemos enfrentar no mundo uma dura luta contra «os Principados e os Poderes», «os espíritos do mal» (Ef 6, 12). Não nos escondemos os problemas que estes desafios apresentam, mas eles não nos assustam. Isto é válido antes de tudo para os fenómenos da globalização, que devem ser para nós oportunidades para uma dilatação da presença do Evangelho. Assim também as migrações — mesmo se com o peso dos sofrimentos que comportam e dos quais queremos estar sinceramente próximos com o acolhimento próprio dos irmãos — são ocasiões, como aconteceu no passado, de difusão da fé e de comunhão entre as variedades das suas formas. A secularização, mas também a crise da hegemonia da política e do Estado, pedem à Igreja que reconsidere a própria presença na sociedade, sem a isso renunciar. As muitas e sempre novas formas de pobreza abrem espaços inéditos ao serviço da caridade: a proclamação do Evangelho compromete a Igreja a estar com os pobres e a ocupar-se dos seus sofrimentos, como Jesus. Até nas formas mais ásperas de ateísmo e de agnosticismo sentimos que podemos reconhecer, mesmo se de formas contraditórias, não um vazio, mas uma saudade, uma expectativa que espera uma resposta adequada.

Face aos desafios que as culturas dominantes apresentam à fé e à Igreja renovamos a nossa confiança no Senhor, com a certeza de que também nestes contextos o Evangelho é portador de luz capaz de sanar qualquer debilidade do homem. Não somos nós que guiamos a obra da evangelização, mas Deus, como nos recordou o Papa: «A primeira palavra, a iniciativa e a actividade verdadeiras vêm de Deus e só inserindo-nos nesta iniciativa divina, só implorando esta iniciativa divina, podemos tornar-nos nós também — com Ele e Nele — evangelizadores» (Bento XVI, Meditação na primeira Congregação geral da XIII Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, Roma, 8 de Outubro de 2012).

7. Evangelização família e vida consagrada

Desde a primeira evangelização a transmissão da fé no suceder-se das gerações encontrou um lugar natural na família. Nela — com um papel muito especial desempenhado pelas mulheres, mas com isto não pretendemos diminuir a figura paterna e a sua responsabilidade — os sinais da fé, a comunicação das primeiras verdades, a educação para a oração, o testemunho dos frutos do amor foram inseridos na existência das crianças e dos jovens, no contexto da solicitude que cada família dedica ao crescimento dos seus filhos. Mesmo se na diversidade das situações geográficas, culturais e sociais, todos os Bispos no Sínodo reconfirmaram este papel essencial da família na transmissão da fé. Não se pode pensar numa nova evangelização, sem uma responsabilidade específica em relação ao anúncio do Evangelho às famílias e sem lhes dar apoio na tarefa educativa.

Não escondemos o facto de que hoje a família, que se constitui no matrimónio de um homem e de uma mulher, que os torna «uma só carne» (Mt 19, 6) aberta à vida, é atravessada em toda a parte por factores de crise, circundada por modelos de vida que a penalizam, descuidada pelas políticas daquela sociedade da qual é contudo a célula fundamental, nem sempre respeitada nos seus ritmos nem apoiada nos seus compromissos pelas próprias comunidades eclesiais. Mas precisamente isto nos estimula a dizer que devemos ter uma solicitude particular pela família e pela sua missão na sociedade e na Igreja, desenvolvendo percursos de acompanhamento antes e depois do matrimónio. Desejamos expressar também a nossa gratidão aos muitos esposos e famílias cristãs que, com o seu testemunho, mostram ao mundo uma experiência de comunhão e de serviço que é semente de uma sociedade mais fraterna e pacificada.

O nosso pensamento dirigiu-se também às situações familiares e de convivência nas quais não se reflecte aquela imagem de unidade e de amor para toda a vida que o Senhor nos ensinou. Há casais que convivem sem o vínculo sacramental do matrimónio; multiplicam-se situações familiares irregulares construídas depois da falência de precedentes matrimónios: vicissitudes dolorosas nas quais sofre também a educação dos filhos na fé. A todos eles queremos dizer que o amor do Senhor nunca abandona ninguém, que também a Igreja os ama e é casa acolhedora para todos, que eles permanecem membros da Igreja mesmo se não podem receber a absolvição sacramental e a Eucaristia. As comunidades católicas sejam acolhedoras em relação a quantos vivem tais situações e amparem caminhos de conversão e de reconciliação.

A vida familiar é o primeiro lugar no qual o Evangelho se encontra com o dia-a-dia da vida e mostra a sua capacidade de transfigurar as condições fundamentais da existência no horizonte do amor. Mas é importante também para o testemunho da Igreja mostrar como esta vida no tempo tem um cumprimento que vai além da história dos homens e alcança a comunhão eterna com Deus. À mulher samaritana Jesus não se apresenta simplesmente como aquele que dá a vida, mas como aquele que dá a «vida eterna» (Jo 4, 14). O dom de Deus, que a fé torna presente, não é simplesmente a promessa de condições melhores neste mundo, mas o anúncio que o sentido último da nossa vida está além deste mundo, naquela comunhão plena com Deus que esperamos no fim dos tempos.

Deste horizonte ultraterreno do sentido da existência humana são testemunhas particulares na Igreja e no mundo quantos o Senhor chamou à vida consagrada, uma vida que, dado que a ele está totalmente consagrada, na prática da pobreza, castidade e obediência, é o sinal de um mundo futuro que relativiza qualquer bem deste mundo. Da Assembleia do Sínodo dos Bispos chegue a estes nossos irmãos e irmãs a gratidão pela sua fidelidade à chamada do Senhor e pela contribuição que deram e dão à missão da Igreja, a exortação à esperança em situações não fáceis também para eles nestes tempos de mudança, o convite a confirmar-se como testemunhas e promotores de nova evangelização nos vários âmbitos de vida nos quais o carisma de cada um dos seus institutos os coloca.

8. A comunidade eclesial e os muitos operários da evangelização

A obra de evangelização não é tarefa de alguns na Igreja, mas das comunidades eclesiais como tais, onde se tem acesso à plenitude dos instrumentos do encontro com Jesus: a Palavra, os sacramentos, a comunhão fraterna, o serviço da caridade, a missão.

Nesta perspectiva sobressai antes de tudo o papel da paróquia, como presença da Igreja no território no qual os homens vivem, «fonte da aldeia», como gostava de a chamar João XXIII, na qual todos se podem dissedentar encontrando nela o refrigério do Evangelho. O seu papel permanece irrenunciável, mesmo se as mudadas condições podem exigir quer a sua articulação em pequenas comunidades quer vínculos de colaboração em contextos mais amplos. Sentimos agora que devemos exortar as nossas paróquias a apoiar na tradicional solicitude pastoral do povo de Deus as novas formas de missão exigida pela nova evangelização. Elas devem permear também as várias formas, importantes expressões da piedade popular.

Na paróquia continua a ser decisivo o ministério do sacerdote, pai e pastor do seu povo. Os Bispos desta Assembleia sinodal expressam a todos os presbíteros gratidão e proximidade fraterna pela sua não fácil tarefa e convidamo-los a vínculos mais estreitos no presbitério diocesano, a uma vida espiritual cada vez mais intensa, a uma formação permanente que os torne idóneos para enfrentar as mudanças.

Ao lado dos presbíteros deve ser apoiada a presença dos diáconos, assim como a acção pastoral dos catequistas e de muitas outras figuras ministeriais e de animação no campo do anúncio e da catequese, da vida litúrgica, do serviço caritativo, assim como as várias formas de participação e co-responsabilidade por parte dos fiéis, homens e mulheres, por cuja dedicação nos múltiplos serviços nas nossas comunidades nunca seremos bastante agradecidos. Também a todos eles pedimos que dediquem a sua presença e o seu serviço na Igreja na óptica da nova evangelização, cuidando a própria formação humana e cristã, o conhecimento da fé e a sensibilidade aos fenómenos culturais de hoje.

Considerando os leigos, dirigimos uma palavra específica às várias formas de antigas e novas associações e ao mesmo tempo aos movimentos eclesiais e às novas comunidades, todas expressões da riqueza dos dons que o Espírito faz à Igreja. Também a estas formas de vida e de compromisso na Igreja expressamos gratidão, exortando-os à fidelidade ao próprio carisma e à convicta comunhão eclesial, sobretudo no contexto concreto das Igrejas particulares.

Testemunhar o Evangelho não é privilégio de alguns. Reconhecemos com alegria a presença de tantos homens e mulheres que com a sua vida se tornam sinal do Evangelho no meio do mundo. Reconhecemo-los também em tantos nossos irmãos e irmãs cristãos com os quais a unidade infelizmente ainda não é perfeita, mas que estão contudo marcados pelo Baptismo do Senhor e são seus anunciadores. Nestes dias foi para nós uma experiência comovedora ouvir as vozes de tantos responsáveis influentes de Igrejas e Comunidades eclesiais que nos testemunharam a sua sede de Cristo e a sua dedicação ao anúncio do Evangelho, também eles convictos de que o mundo precisa de uma nova evangelização. Estamos gratos ao Senhor por esta unidade na exigência da missão.

9. Para que os jovens possam encontrar Cristo

Temos uma preocupação particular pelos jovens, porque eles, que são parte relevante do presente da humanidade e da Igreja, são também o seu futuro. Também sobre eles o olhar dos Bispos não é minimamente pessimista. Preocupado sim, mas não pessimista. Preocupado porque precisamente sobre eles confluem os impulsos mais agressivos dos tempos; mas não pessimista, antes de tudo porque, reafirmámo-lo, é o amor de Cristo que move profundamente a história, mas também porque entrevemos nos nossos jovens aspirações profundas de autenticidade, de verdade, de liberdade, de generosidade, para as quais estamos convencidos de que Cristo é a resposta que satisfaz.

Queremos apoiá-los na sua busca e encorajamos as nossas comunidades a entrar sem reservas numa perspectiva de escuta, de diálogo e de proposta corajosa em relação à difícil condição dos jovens. Para resgatar, e não mortificar, o poder dos seus entusiasmos. E para apoiar em seu favor a justa batalha contra os lugares comuns e as especulações finalizadas dos poderes mundanos, interessados em dissipar as energias e em consumir os seus impulsos a seu benefício, privando-os de qualquer memória grata do passado e de qualquer projecto sério de futuro.

A nova evangelização tem no mundo dos jovens um campo empenhativo mas também particularmente prometedor, como mostram não poucas experiências, das mais agregadoras, como as Jornadas Mundiais da Juventude, às mais escondidas mas não menos envolvedoras, como as várias experiências de espiritualidade, de serviço e de missionariedade. Deve-se reconhecer aos jovens um papel activo na obra de evangelização sobretudo em relação ao seu mundo.

10. O Evangelho em diálogo com a cultura, com a experiência humana e com as religiões

A nova evangelização tem o seu centro em Cristo e a atenção na pessoa humana, para dar vida a um encontro real com Ele. Mas os seus horizontes são largos quanto o mundo e não se fecham a nenhuma experiência do homem. Isto significa que ela cultiva com particular solicitude o diálogo com as culturas, na confiança de poder encontrar em cada uma delas as «sementes do Verbo» de que falam os antigos Padres. Em particular a nova evangelização precisa de uma renovada aliança entre fé e razão, na convicção de que a fé tem recursos próprios para acolher todos os frutos de uma razão sadia aberta à transcendência e tem a força de sanar os limites e as contradições nas quais a razão pode cair. A fé não fecha os olhos nem sequer face às dilacerantes interrogações que a presença do mal na vida e na história dos homens levanta, haurindo luz de esperança da Páscoa de Cristo.

O encontro entre a fé e a razão alimenta também o compromisso das comunidades cristãs no âmbito da educação e da cultura. Nisto um lugar especial é ocupado pelas instituições formativas e de pesquisa: escolas e universidades. Onde quer que se desenvolvam os conhecimentos do homem e se dá uma acção educativa, a Igreja é feliz de levar as próprias experiência e contribuição para a formação da pessoa na sua integridade. Neste âmbito deve ser dedicada uma solicitude especial à escola católica e às universidades católicas, nas quais a abertura à transcendência, própria de qualquer percurso cultural e educativo, deve completar-se em caminhos de encontro com o evento de Jesus Cristo e da sua Igreja. A gratidão dos Bispos chegue a quantos, em condições por vezes difíceis, nisto estão comprometidos.

A evangelização exige que se preste atenção activa ao mundo das comunicações sociais, caminho no qual, sobretudo nos novos mass media, se cruzam tantas vidas, interrogações e expectativas. Lugar onde muitas vezes se formam as consciências e se ritmam os tempos e os conteúdos da vida vivida. Uma oportunidade nova para alcançar o coração do homem.

Um âmbito especial de encontro entre fé e razão tem-se hoje no diálogo com o saber científico. Ele, em si, não está minimamente distante da fé, sendo uma manifestação daquele princípio espiritual que Deus deu aos homens e que lhes permite detectar as estruturas racionais que estão na base da criação. Quando ciências e técnicas não presumem fechar a concepção do homem e do mundo num árido materialismo, tornam-se um precioso aliado par o desenvolvimento da humanização da vida. O nosso obrigado também a quantos estão comprometidos nesta delicada frente do conhecimento. Um obrigado que queremos dirigir também a homens e mulheres comprometidos noutra expressão do génio humano, o da arte nas suas várias formas, das mais antigas às mais recentes. Nas suas obras, enquanto tendem para dar forma à propensão do homem para a beleza, nós reconhecemos um modo particularmente significativo de expressão da espiritualidade. Estamos gratos quando com as suas criações de beleza nos ajudam a tornar evidente a beleza do rosto de Deus e das suas criaturas. O caminho da beleza é um percurso particularmente eficaz na nova evangelização.

Além dos vértices da arte é contudo a laboriosidade do homem que atrai a nossa atenção, como um espaço no qual, através do trabalho, ele se torna cooperador da criação divina. Ao mundo da economia e do trabalho queremos recordar como brotam da luz do Evangelho algumas chamadas: resgatar o trabalho das condições que o tornam muitas vezes um peso insuportável e uma perspectiva incerta, ameaçada com frequência pelo desemprego, sobretudo juvenil; pôr a pessoa humana no centro do progresso económico; considerar este progresso como uma ocasião de crescimento do género humano na justiça e na unidade. O homem no trabalho com o qual transforma o mundo está chamado a salvaguardar o rosto que Deus quis dar à sua criação, também por responsabilidade em relação às gerações vindouras.

O Evangelho ilumina também a condição do sofrimento na doença, na qual os cristãos devem fazer sentir a proximidade da Igreja às pessoas doentes ou deficientes e a gratidão em relação a quantos deles se ocupam com profissionalidade e humanidade. Um âmbito no qual a luz do Evangelho pode e deve resplandecer para iluminar os passos da humanidade é o da política, à qual se pede um compromisso de acção abnegado e transparente do bem comum, no respeito da plena dignidade da pessoa humana, desde a sua concepção até ao seu fim natural, da família fundada no matrimónio de um homem e de uma mulher, da liberdade educativa; na promoção da liberdade religiosa; na remoção das causas de injustiças, desigualdades, discriminações, racismo, violências, fome e guerras. Um testemunho límpido é pedido aos cristãos que, no desempenho da política, vivem o preceito da caridade.

O diálogo da Igreja tem um seu interlocutor natural, por fim, nos seguidores das religiões. Evangeliza-se porque se está convicto da verdade de Cristo, não contra alguém. O Evangelho de Jesus é paz e alegria, e os seus discípulos rejubilam por reconhecer o que há de verdadeiro e de bom o espírito religioso dos homens soube divisar no mundo criado por Deus e expressou dando forma às várias religiões.

O diálogo entre os crentes das várias religiões quer ser uma contribuição à paz, rejeita qualquer fundamentalismo e denuncia toda a violência que se abate sobre os crentes, grave violação dos direitos humanos. As Igrejas de todo o mundo estão próximas na oração e na fraternidade aos irmãos sofredores e pedem a quem tem nas mãos o destino dos povos que salvaguarde o direito de todos à livre escolha e à livre profissão e testemunho da fé.

11. No Ano da fé, a memória do concílio Vaticano II
e a referência ao «
Catecismo da Igreja Católica»

Na senda aberta pela nova evangelização poderíamos sentir-nos por vezes também como num deserto, no meio de perigos e privados de referências. O Santo Padre Bento XVI, na homilia da Missa de abertura do Ano da fé, falou de uma «“desertificação” espiritual» que progrediu nestes últimos decénios, mas encorajou-nos também afirmando que «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio que podemos descobrir de novo a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. Descobre-se no deserto o valor do que é essencial para viver» (Homilia na Celebração eucarística para a abertura do Ano da fé, Roma, 11 de Outubro de 2012). Ao deserto, como a mulher samaritana, vai-se à procura de água e de um poço do qual a obter: bem-aventurado aquele que aí encontra Cristo.

Agradecemos ao Santo Padre pelo dom do Ano da fé, entrada preciosa no percurso da nova evangelização. Agradecemos-lhe também por ter ligado este Ano com a memória grata pelo cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, cujo magistério fundamental para o nosso tempo resplandece no Catecismo da Igreja Católica, reproposto vinte anos depois da publicação como referência segura de fé. São aniversários importantes, que nos permitem reafirmar a nossa adesão ao ensinamento do concílio e o nosso compromisso convicto a prosseguir na plena actuação.

12. Na contemplação do mistério e ao lado dos pobres

Nesta óptica queremos indicar a todos os fiéis duas expressões da vida de fé que nos parecem de particular relevância para a testemunhar na nova evangelização.

A primeira é constituída pelo dom e pela experiência da contemplação. Só de um olhar adorante sobre o mistério de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, só da profundidade de um silêncio que se apresenta como seio que acolhe a única Palavra que salva, pode brotar um testemunho credível para o mundo. Só este silêncio orante pode impedir que a palavra da salvação seja confundida no mundo com os muitos rumores que o invadem.

Volta de novo aos nossos lábios a palavra da gratidão, dirigida agora a quantos, homens e mulheres, dedicam a sua vida, nos mosteiros e nas ermidas, à oração e à contemplação. Mas precisamos que momentos contemplativos se enlacem também com a vida diária do povo. Lugares da alma, mas também do território, que recordem Deus; santuários interiores e templos de pedra, que sejam encruzilhadas obrigatórias para o fluxo de experiências nas quais arriscamos confundir-nos. Espaços nos quais todos se possam sentir acolhidos, mesmo quem ainda não sabe bem o quê e quem procurar.

Outro sinal de autenticidade da nova evangelização tem o rosto do pobre. Pôr-se ao lado de quem está ferido pela vida não é só uma prática de socialidade, mas antes de tudo um facto espiritual. Porque no rosto do pobre resplandece o próprio rosto de Cristo: «Tudo o que fizerdes a um dos meus irmãos mais pequeninos é a Mim que o fazeis» (Mt 25, 40).

Aos pobres deve ser reconhecido um lugar privilegiado nas nossas comunidades, um lugar que não exclui ninguém, mas quer ser um reflexo de como Jesus se ligou com eles. A presença do pobre nas nossas comunidades é misteriosamente poderosa: muda as pessoas mais que um discurso, ensina fidelidade, faz compreender a fragilidade da vida, pede oração: em síntese, conduz a Cristo.

O gesto da caridade, por sua vez, exige o acompanhamento do compromisso pela justiça, com um apelo que diz respeito a todos, pobres e ricos. Eis por que a inserção da doutrina social da Igreja nos percursos da nova evangelização e a solicitude pela formação dos cristãos que se comprometem ao serviço da convivência humana na vida social e na política.

13. Uma palavra às Igrejas das diversas regiões do mundo

O olhar dos bispos reunidos em Assembleia sinodal abraça todas as comunidades eclesiais difundidas no mundo. Um olhar que quer ser unitário, porque é única a chamada ao encontro com Cristo, mas não esquece as diversidades.

Os bispos reunidos no Sínodo dedicam uma consideração muito especial, cheia de afecto fraterno e de gratidão, a vós cristãos das Igrejas orientais católicas, as herdeiras da primeira difusão do Evangelho, experiência conservada com amor e fidelidade, e às que estão no Leste da Europa. Hoje o Evangelho repropõe-se entre vós como nova evangelização através da vida litúrgica, da catequese, da oração familiar quotidiana, do jejum, da solidariedade entre as famílias, da participação dos leigos na vida das comunidades e no diálogo com a sociedade. Em muitos contextos as vossas Igrejas encontram-se entre provações e tribulações, nas quais testemunham a participação na cruz de Cristo; alguns fiéis são obrigados à emigração e, mantendo viva a pertença às próprias comunidades de origem, podem dar a sua contribuição à solicitude pastoral e à obra de evangelização nos países que os receberam. O Senhor continue a abençoar a vossa fidelidade e sobre o vosso futuro abram-se horizontes de serena confissão e prática da fé numa condição de paz e de liberdade religiosa.

Olhamos para vós cristãos, homens e mulheres, que viveis nos países da África e manifestamo-vos a nossa gratidão pelo testemunho que ofereceis ao Evangelho muitas vezes em situações de vida humanamente difíceis. Exortamo-vos a dar de novo impulso à evangelização recebida em tempos ainda recentes, a edificar-vos como Igreja «família de Deus», a fortalecer a identidade da família, a apoiar o compromisso dos sacerdotes e dos catequistas, especialmente nas pequenas comunidades cristãs. Afirma-se além disso a exigência de desenvolver o encontro do Evangelho com as culturas antigas e novas. Dirigimos uma expectativa e uma forte chamada ao mundo da política e aos Governos dos diversos países da África, para que, na colaboração de todos os homens de boa vontade, sejam promovidos os direitos humanos fundamentais e o continente seja libertado das violências e dos conflitos que ainda o atormentam.

Os bispos da Assembleia sinodal convidam a vós, cristãos da América do norte, a responder com alegria à chamada à nova evangelização, enquanto olham gratos para como na sua história ainda jovem as vossas comunidades cristãs tenham dado frutos generosos de fé, de caridade e de missão. É preciso agora reconhecer que muitas expressões da cultura actual nos países do vosso mundo estão hoje distantes do Evangelho. Impõe-se um convite à conversão, da qual nasce um compromisso que não vos situa fora das vossas culturas, mas no seu centro para oferecer a todos a luz da fé e a força da vida. Ao acolher nas vossas generosas terras novas populações de imigrantes e refugiados, estai dispostos também a abrir as portas das vossas casas à fé. Fiéis aos compromissos assumidos na Assembleia sinodal para a América, sede solidários com a América latina na permanente evangelização do comum continente.

A Assembleia do Sínodo dirige o mesmo sentimento de gratidão às Igrejas da América latina e caribenhas. Surpreende de modo particular como ao longo dos séculos se tenham desenvolvido nos vossos países formas de piedade popular, ainda radicadas no coração de muitos, de serviço de caridade e de diálogo com as culturas. Mas, face aos tantos desafios do presente, em primeiro lugar a pobreza e a violência, a Igreja na América latina e nas Caraíbas é exortada a viver em estado permanente de missão, anunciando o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, mostrando no compromisso dos seus filhos como o Evangelho possa ser nascente de uma nova sociedade justa e fraterna. Também o pluralismo religioso interroga as vossas Igrejas e exige um anúncio renovado do Evangelho.

Também a vós cristãos da Ásia desejamos oferecer uma palavra de encorajamento e de exortação. Pequena minoria no continente que reúne em si quase dois terços da população mundial, a vossa presença é uma semente fecunda, confiada ao poder do Espírito, que cresce no diálogo com as diversas culturas, com as antigas religiões, com os muitos pobres. Mesmo se com frequência posta à margem da sociedade, em diversos lugares até perseguida, a Igreja na Ásia, com a sua fé firme, é uma presença preciosa do Evangelho de Cristo que anuncia justiça, vida e harmonia. Cristãos da Ásia, senti a proximidade fraterna dos cristãos dos outros países do mundo, os quais não podem esquecer que no vosso continente, na Terra Santa, Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou.

Os bispos dirigem uma palavra de reconhecimento e esperança às Igrejas do continente europeu, hoje em parte marcado por uma forte secularização, por vezes até agressiva, e em parte ainda ferido pelos longos decénios de poder de ideologias inimigas de Deus e do homem. O reconhecimento é em relação a um passado, mas também a um presente, no qual o Evangelho criou na Europa conhecimentos e experiências de fé singulares e decisivas para a evangelização do mundo inteiro, muitas vezes transbordantes de santidade: riqueza do pensamento teológico, variedade de expressões carismáticas, as mais variadas formas de serviço à caridade para com os pobres, profundas experiências contemplativas, criação de uma cultura humanista que contribuiu para dar um rosto à dignidade da pessoa e à construção do bem comum. As dificuldades do presente não vos abatam, queridos cristãos europeus: ao contrário, sejam sentidas como um desafio que deve ser superado e uma ocasião para um anúncio mais jubiloso e vivo de Cristo e do seu Evangelho de vida.

Os Bispos da Assembleia sinodal saúdam por fim os povos da Oceânia, que vivem sob a protecção da Cruz austral, e agradecem o seu testemunho ao Evangelho de Jesus. A nossa oração por vós é para que, como a mulher samaritana no poço, também vós sintais viva a sede de uma vida nova e possais ouvir a palavra de Jesus que diz: «Se tu conhecesses o dom de Deus!» (Jo 4, 10). Senti ainda o compromisso de pregar o Evangelho e de fazer conhecer Jesus no mundo de hoje. Exortamo-vos a encontrá-lo na vossa vida quotidiana, a ouvi-lo e a descobrir, mediante a oração e a meditação, a graça de poder dizer: «Sabemos que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo» (Jo 4, 42).

14. A estrela de Maria ilumina o deserto

Tendo chegado ao fim desta experiência de comunhão entre bispos de todo o mundo e de colaboração no ministério do Sucessor de Pedro, ouvimos ressoar para nós o actual mandamento de Jesus aos seus discípulos: «Ide por todo o mundo, e fazei discípulos de todas as nações [...] E Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo» (Mt 28, 19.20). A missão da Igreja não se destina só a uma extensão geográfica, mas vai até às dobras mais escondidas do coração dos nossos contemporâneos, para os reconduzir ao encontro com Jesus, o vivente que se torna presente nas nossas comunidades.

Esta presença encha de alegria os nossos corações. Gratos pelos dons por ele recebidos nestes dias, elevamos o cântico de louvor: «A minha alma glorifica ao Senhor [...] Grandes coisas fez para mim o Salvador» (cf. Lc 1, 46.49). As palavras de Maria são também as nossas: o Senhor fez deveras grandes coisas ao longo dos séculos para a sua Igreja nas diversas partes do mundo e nós glorificámo-lo, na certeza de que ele não deixará de olhar para a nossa pobreza para estender o poder do seu braço também nos nossos dias e nos apoiar no caminho da nova evangelização.

A figura de Maria orienta-nos no caminho. Este caminho, como nos disse Bento XVI, poderá abrir-nos um itinerário no deserto; sabemos que temos de o percorrer levando connosco o essencial: o dom do Espírito, a companhia de Jesus, a verdade da sua palavra, o pão eucarístico que nos alimenta, a fraternidade da comunhão eclesial, o impulso da caridade. É a água do poço que faz florescer o deserto. E, assim como na noite do deserto as estrelas se tornam mais luminosas, também no céu do nosso caminho resplandece com vigor a luz de Maria, a Estrela da nova evangelização, à qual nos recomendamos confiantes.

 

(*) L'Osservatore Romano, ed. em Português, n. 44, 03 de Novembro de 2012

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