quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Homilia do Papa Francisco de 22-10-2013 sobre a sobre a contemplação, a proximidade e a abundância.


Homilia do Papa Francisco de 22-10-2013 sobre a  sobre a  contemplação, a proximidade e a abundância.
Deus não nos salvou por decreto ou por lei; nos salvou com a sua vida.  Este é um mistério que não pode ser compreendido só com a inteligência; mais do que isso, tentar explicá-lo só com o uso da inteligência significa arriscar-se à loucura.  Para entendê-lo necessita-se de outra coisa.
A passagem da Carta aos Romanos (12; 15; 17-19; 20-21) talvez seja uma das mais difíceis. Vê-se que ao próprio Paulo lhe custa proclamar, fazer-se entender.  De qualquer forma, ele nos ajuda a acercar-nos da verdade.  E, para facilitar nossa compreensão, três palavras são importantes: a contemplação, a proximidade e a abundancia.
Antes de mais nada, a contemplação.  Sem dúvida, trata-se de um mistério extraordinário, tanto que a Igreja, quando quer nos dizer algo sobre este mistério, usa somente uma palavra: admiravelmente.  “Ó Deus, Tu que admiravelmente criaste o mundo e, mais admiravelmente o recriaste...”.
Paulo quer fazer-nos entender precisamente isto: para compreender, é preciso se colocar de joelhos, orar e contemplar.  A contemplação é inteligência, coração, joelhos, e oração; e, colocar tudo isto junto significa entrar no mistério.  Portanto, o que São Paulo diz a propósito da salvação e da redenção realizada por Jesus somente se pode entender de joelhos, em contemplação; não unicamente com a inteligência, porque quando a inteligência quer explicar um mistério, sempre enlouquece.  Assim se sucedeu na história da Igreja.
A segunda palavra é a proximidade.  Um conceito que, no Evangelho, é repetido com frequência.  Um homem cometeu o pecado, outro homem nos salvou.  É um Deus próximo.  Este mistério nos mostra a Deus próximo de nós, de nossa história; desde o primeiro momento, quando escolheu o nosso pai Abraão, caminha com o seu povo, e enviou Seu Filho para realizar esta obra.
Uma obra que Jesus realiza como um artesão, como um operário.  A imagem que me vem à mente é a de um enfermeiro ou enfermeira que, em um hospital cura as feridas uma a uma, mas com as suas mãos.  Deus se envolve com nossas misérias, aproxima-se de nossas feridas e as cura com as suas mãos; e, para ter mãos, fez-se homem.  É um trabalho de Jesus, pessoal: um homem cometeu o pecado, um homem vem curá-lo.  Porque Deus não nos salva solo mediante um decreto, com uma lei; salva com ternura, salva com carinho, salva com a sua vida por nós.
A terceira palabra é abundância.  Na Carta de Paulo, repetem-se várias vezes: onde abundou o pecado, superabundou a graça.  Que o pecado abunda no mundo e dentro do coração de cada um é evidente.  Cada um de nós sabe de suas misérias, conhece-as bem.  E elas abundam.  Mas o desafio de Deus é vencer o pecado, curar as feridas como fez Jesus.  Mais ainda: dar o presente superabundante de seu amor e de sua graça.
Assim se entende também a preferência de Jesus pelos pecadores.  Acusavam-no de ir sempre com os publicanos, com os pecadores.  Comer com os publicanos era um escândalo, porque no coração desta gente abundava o pecado.  Mas Ele ia na direção deles com aquela superabundância de graça e de amor.  E a graça de Deus vence sempre porque é Ele mesmo que se doa, que se aproxima, que nos dá carinho e que nos cura.
É verdade que há quem não gosta de escutar que os pecadores são mais próximos ao coração de Jesus, que Ele vai buscar-los, chama a todos: venham, venham... E quando Lhe pedem uma explicação, Ele diz: mas os que têm boa saúde não necessitam de médico; vim para curar, para salvar em abundância.
Alguns santos dizem que um dos pecados mais feios é a desconfiança, desconfiar de Deus.  Mas como podemos desconfiar de um Deus tão próximo, tão bom, que prefere nosso coração pecador?  E assim é este mistério: não é fácil entendê-lo, não se compreende bem, não se pode entender só com a inteligência.  Talvez nos ajudem estas três palavras: contemplação, contemplar este mistério; proximidade, este mistério escondidos nos sinais do Deus próximo e que se aproxima de nós; e abundância, um Deus que sempre vence com a superabundância da sua graça, com a sua ternura, ou, com a riqueza de sua misericórdia.

Homilia do Papa Francisco de 13-10-2013 sobre a lógica do antes e do depois


Homilia do Papa Francisco de 13-10-2013 sobre a lógica do antes e do depois

“Temos que entrar na “lógica do antes e do depois” para que não nos convertamos em cristãos tíbios, ou os que se movem ao sabor dos ventos, ou mesmo, em hipócritas.” 

O Papa fez esta declaração, fazendo referencia à Carta aos Romanos (6, 19-23), em que São Paulo “busca fazer-nos entender este mistério tão grande de nossa redenção, de nosso perdão, do perdão de nossos pecados, em Cristo Jesus.”

O apóstolo adverte que não é fácil entender e sentir este mistério.  Para ajudar-nos a compreendê-lo, usa a lógica do antes e do depois: antes de Jesus e depois de Jesus. 

Na Carta aos Filipenses, (Filipenses 3,8), São Paulo também indica: “perdi tudo e tudo considero lixo, para ganhar a Cristo y viver por Ele”.  “São Paulo sentia muito fortemente que a fé nos faz justos, nos justifica diante do Pai.  Paulo abandonou ao homem de antes (velho) e se converteu no homem do depois (novo), com o objetivo de ganhar a Cristo.”

Por isto, Paulo indica um camino para viver segundo esta lógica do antes e do depois: é o mesmo que antes oferecíamos nossos membros à impureza e à maldade, para que fizessem o mal, agora oferecemos nossos membros à justiça, para a nossa santificação.

O que fez Cristo em nós é uma ‘re-criação’: o sangue de Cristo nos re-criou, em uma segunda re-criação.  E, se antes toda a nossa vida, nosso corpo, nossa alma, nossos hábitos, estavam no caminho do pecado e da iniquidade, depois desta re-criação, devemos fazer um esforço para caminhar pelo caminho da justiça e da santificação.  Paulo utiliza esta palavra: santidade.  Todos fomos batizados.  Naquele momento, éramos crianças, nossos país, em nosso nome, pronunciaram o ato de fé: creio em Jesus Cristo que nos perdoou os pecados.

Esta fé, devemos reasumí-la y levá-la em frente, através de nosso modo de viver.  E viver como cristão é levar em frente esta fé em Cristo, esta recriação.  Devemos levar em frente as obras que nascem desta fé.  O importante é a fé, mas as obras são o fruto desta fé: levemos em frente estas obras para a santificação.   Isto significa: a primeira santificação que realizou Cristo, a primeria santificação que recebemos no batismo, deve crescer, deve seguir em frente.

Na realidade, somos fracos e muitas vezes cometemos pecado.  Isto significa que não estamos no caminho da santificação?  Sim e não. Se você se acostuma a uma vida onde você crê em Jesus Cristo, mas vive como quer, então você não se santifica, não funciona, é um contra-senso. Mas se você diz: “eu sou pecador, sou fraco” e vai até o Senhor e Lhe diz:”Senhor, você tem a força, dá-me a fé; você pode curarme”, através do sacramento da reconciliação, então também nossas imperfeições se fazem introduzir neste caminho de santificação.

Portanto, se está sempre antes e depois: antes, o ato de fé.  Antes da aceitação de Jesus Cristo, que nos recriou com seu sangue, estávamos no caminho da injustiça; depois, estamos no caminho da santificação; no entanto, devemos tomá-la a sério.  E isto significa realizar obras de justiça.  Antes de mais nada, adorar a Deus; e depois, fazer o que Jesus nos aconselha: ajudar aos outros, dar de comer aos famintos, dar água aos sedentos, visitar os enfermos, visitar os presos.  Estas obras que Jesus fez em sua vida, obras de justiça, obras de recriação.  Quando damos de comer a um faminto, recriamos nele a esperança.

Mas se aceitamos a fé e depois não a vivemos, somos cristãos só de memória: sim, sou batizado, tenho a fé do batismo, mas vivo como posso.

Sem esta consciência do antes e do depois, nosso cristianismo não sirve ninguém.  Mais ainda, torna-se hipocrisia: eu me digo cristão, mas vivo como pagão.  Algumas vezes dizemos: “cristãos de meia tijela”, que não consideram seriamente o fato de ser “santificados pelo sangue de Cristo”.  E se não tomamos a sério esta santificação, passa-se a ser cristãos tíbios: sim, sim, não, não, não...  Temos que ter a convicção de Paulo: perdi tudo e tudo considero lixo, com o objetivo de ganhar a Cristo e viver Nele.

Esta era a “paixão de Paulo”.  E esta deve ser a paixão de um cristão: deixar tudo o que nos afasta de Cristo, o Senhor; deixar tudo o que nos afasta do ato de fé Nele, do ato de fé na recriação, por meio do seu sangue, e fazer tudo novo.  Tudo é novidade em Cristo, tudo é novo!

Este é um objetivo possível?  Sim!  Paulo o fez.  Muitos cristãos o fizeram e o fazem.  Não somente os santos, os que conhecemos; também os santos anônimos, os que vivem o seu cristianismo a sério.  Talvez a pergunta que hoje podemos fazer é: “quero viver meu cristianismo a sério?  creio que fui recriado pelo sangue de Cristo e quero levar em frente esta recriação, até o dia em que se veja a Cidade Nova, a criação nova?  Ou estou um pouco na metade do caminho?”

Peçamos a São Paulo que nos fala hoje com esta lógica do antes e do depois, para que nos dê a graça de viver a sério como cristãos, de crer verdadeiramente que fomos santificados pelo sangue de Jesus Cristo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Homilia do Papa Francisco de 05-11-2013 sobre a inclusão de todos na Festa do Senhor


Homilia do Papa Francisco de 05-11-2013 sobre a inclusão de todos na Festa do Senhor

 

A essência do cristianismo é um convite para a festa. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa desta manhã, na Casa Santa Marta. O Papa reiterou que a Igreja “não é somente para as pessoas boas”, o convite a fazer parte dela é para todos. E acrescentou, que na festa do Senhor, “participa-se plenamente” e com todos, não se pode fazer seleção. “Que os cristãos – advertiu – não se contentem em estar na lista de convidados”, pois seria “como estar fora da festa”.

 

“As leituras do dia – disse o Papa no início da homilia – nos mostram a carta de identidade do cristão”, sublinhando a seguir que “antes de tudo, a essência cristã é um convite: somente nos tornamos cristãos se somos convidados”. Trata-se, portanto, de “um convite gratuito” para participar, “que vem de Deus”. Para entrar nesta festa, “não se pode pagar: ou és convidado ou não podes entrar”. Se “na nossa consciência não temos esta certeza de sermos convidados”, então “não entendemos o que é um cristão”:

 

“Um cristão é alguém que é convidado. Convidado para que? Para um negócio? Convidado para fazer um passeio? O Senhor quer nos dizer algo a mais: ‘Tu és convidado para a festa!’. O cristão é aquele que é convidado à festa, à alegria, à alegria de ser salvo, à alegria de ser redimido, à alegria de participar da vida com Jesus. Isto é uma alegria! Tu és convidado para a festa! Se entende, uma festa é um encontro de pessoas que falam, riem, festejam, são felizes. Mas é um encontro de pessoas. Entre as pessoas normais, mentalmente normais, nunca vi alguém que faça festa sozinho, não é mesmo? Isto seria um pouco aborrecido! Abrir a garrafa de vinho... Isto não é uma festa, é uma outra coisa. Festeja-se com os outros, festeja-se em família, festeja-se com os amigos, festeja-se com as pessoas que são convidadas, como fui convidado. Para ser cristão é necessário uma pertença e se pertence a este Corpo, a esta gente que foi convidada para a festa: esta é a pertença cristã”.

 

Referindo-se à Carta aos Romanos, o Papa afirmou que esta festa é “uma festa de unidade”. E evidenciou que todos são convidados, “bons e maus”. E os primeiros a serem chamados são os marginalizados:

 

“A Igreja não é a Igreja somente para as pessoas boas. Quem pertence à Igreja, a esta festa? Os pecadores, todos nós pecadores somos convidados. E aqui o que se faz? Se faz uma comunidade que tem dons diversos: um tem o dom da profecia, o outro o ministério, um é professor... Todos têm uma qualidade, uma virtude. Mas a festa se faz levando isto que tenho em comum com todos...à festa se participa, se participa plenamente. Não se pode entender a essência cristã sem esta participação. É uma participação de todos nós. ‘Eu vou à festa mas vou ficar apenas na primeira sala, porque eu tenho que estar somente com três ou quatro que eu conheço e os outros ...". Isso não se pode fazer na Igreja! Ou você entra com todos ou você fica de fora! Você não pode fazer uma seleção, a Igreja é para todos, começando por estes que eu falei, os mais marginalizados. É a Igreja de todos! "

 

 

 

É a “Igreja dos convidados” – acrescentou: “Ser convidado, ser participante de uma comunidade com todos”. Mas – observou o Papa – na parábola narrada por Jesus lemos que os convidados, um após outro, começam a encontrar desculpas para não ir à festa: “Não aceitam o convite! Dizem sim, mas fazem não”. Estes “são os cristãos que somente se contentam em estar na lista dos convidados: cristãos elencados”. Mas – advertiu Francisco – isto “não é o suficiente” porque se não se entra na festa não se é cristão. “Tu estarás na lista, mas isto não serve para a tua salvação! Esta é a Igreja: entrar na Igreja é uma graça; entrar na Igreja é um convite”. “E este direito não se pode comprar”, advertiu.

 

“Entrar na Igreja – reiterou - é fazer comunidade, comunidade da Igreja; entrar na Igreja é participar com tudo o que nós temos de virtudes, das qualidades que o Senhor nos deu, no serviço de uns pelos outros. E ainda: “Entrar na Igreja significa estar disponível àquilo que o Senhor Jesus nos pede”. “Entrar na Igreja é fazer parte deste Povo de Deus, que caminha para a Eternidade”. “Ninguém é protagonista na Igreja – observou - mas temos um protagonista que fez tudo. Deus é o protagonista!”. Todos nós O seguimos e quem não O segue, é alguém que se desculpa” e não vai à festa:

 

“O Senhor é muito generoso. O Senhor abre todas as portas e também entende aquele que Lhe diz: ‘Não, Senhor, não quero ir contigo!’. Entende e o espera, porque é misericordioso. Mas ao Senhor não agrada aquele homem que diz ‘sim’ e faz ‘não’; que finge agradecer-lhe por tantas coisas bonitas, mas em verdade segue seu próprio caminho; que tem boas maneiras, mas faz a própria vontade e não a do Senhor: estes que sempre se desculpam, que não conhecem a alegria, que não experimentam a alegria do pertencer. Peçamos ao Senhor esta graça: de entender bem quão belo é ser convidado para a festa, quão belo é estar com todos e partilhar com todos as próprias qualidades, quão belo é estar com Ele e que ruim é jogar entre o “sim” e o “não”, de dizer “sim” mas contentar-me somente em fazer parte da lista dos cristãos”.

 

Homilia do Papa Francisco de 11-11-2013 sobre a consistencia da vida do cristão


Homilia do Papa Francisco de 11-11-2013 sobre a consistencia da vida do cristão, realizada na Capela de Santa Marta em Roma

Aquele que não se arrepende e ‘simula ser cristão’, faz muito mal à Igreja.  devemos estar atentos para que não nos convertamos em ‘corruptos”.

O Papa reafirmou que todos nos devemos dizer ‘pecadores’, mas devemos estar atentos para que não nos convertamos em ‘corruptos’. Quem é um benfeitor da Igreja mas rouba o Estado é um ‘injusto’ e realiza uma ‘vida dupla’.

Jesus “não se cansa de perdoar e nos aconselha a que façamos o mesmo”.  O Papa se concentrou nesta homilía na exortação do Senhor a que perdoemos nosso irmão arrependido, assim como fala o Evangelho.  “Quando Jesus pede que se perdoe sete vezes ao dia, faz um retrato de si mesmo.  Jesus perdoa, mas diz: ‘Atenção a quem causa escândalos’.  Não fala de pecado, mas de escândalo, que é outra coisa.  ‘É melhor para ele que ponha uma pedra de moinho em seu pescoço e se jogue ao mar, antes que escandalize a um destes pequenos’”. 

O Papa pergunta: “qual é a diferença entre pecar e escandalizar?”

E responde: “a diferença é que quem peca e se arrepende, pede perdão, se sente frágil, se sente filho de Deus, se humilha e pede, precisamente, a salvação de Jesus.  Mas o que escandaliza, o que escandaliza?  Não se arrepende, continua pecando e finge ser cristão: a vida dupla.  E a vida dupla de um cristão faz um mal imenso. ‘Mas eu sou um benfeitor da Igreja!  Coloco a mão no bolso e dou à Igreja!’  Mas com a outra mão, rouba o Estado, os pobres... rouba.  É um injusto.  Esta é a vida dupla!  E isto merece, diz Jesus e não eu, que lhe ponham uma pedra de moinho no pescoço e que seja jogado ao mar: não fala de perdão aquí.

Esta pessoa engana.  E aonde está o engano?  Não está no Espírito de Deus.  Está na direrença entre o pecador e o corrupto.  Quem conduz uma vida dupla é um corrupto.  Muito diferente de quem peca e gostaria de não pecar, porque é fraco, busca o Senhor e Lhe pede perdão:  este, o Senhor ama e acompanha; e quer estar com ele.

E nós, sim, devemos nos dizer pecadores, todos o somos.  Mas não somos corruptos.  O corrupto está fixo em um estado de auto-suficiência, não sabe o que significa a humildade.  Jesus dizia a estes corruptos: ‘a beleza de ser sepulcros brancos, que parecem belos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos mortos, de putrefação’.  E um cristão que se vangloria de ser cristão, mas que não tem uma vida de cristão, é um destes corruptos.  Todos conhecemos alguém que está nesta situação e o quanto de mal fazem à Igreja!  Cristãos corruptos, sacerdotes corruptos: quanto mal fazem à Igreja!  Porque não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito mundano.”

O Santo Padre recordou o que São Paulo diz claramente em sua Carta aos Romanos: ‘não se conformem a este mundo’.  E ainda precisa: “o texto original é mais forte, porque afirma que não se pode entrar nos esquemas deste mundo, nos parâmetros deste mundo: esquemas que são este espírito mundano, que leva à vida dupla.

E Jesus não chamava a estes de ‘pecadores’, mas de ‘hipócritas’.  Ele não se cansa de perdoar, mas somente com a condição de que o pecador não queira levar esta vida dupla e de que vá a Ele arrependido.  Peçamos hoje a graça ao Espírito Santo para que nos livre de todo o engano, peçamos a graça de nos reconhecer pecadores: somos pecadores: pecadores sim, corruptos não.”

quarta-feira, 20 de novembro de 2013


Você é um Ozanam, quando...

 

Você é um Ozanam, quando tenta entender a verdade, não importa o seu grau de instrução...

Você é um Ozanam, quando é bom filho, não importa o que os outros filhos façam ou pensem sobre seus pais...

Você é um Ozanam, quando, como católico, você ama a Igreja de verdade e vive para serví-la...

Você é um Ozanam, quando, como um poeta, você olha para os problemas com desapego, vendo-os do alto, como se fossem distantes...

Você é um Ozanam, quando faz de sua própria profissão, um constante serviço a Deus nos irmãos...

Você é um Ozanam, quando, mesmo contra tudo o que os outros pensam, você é um esposo ou esposa fiel que ama a sua outra metade...

Você é um Ozanam, quando você é o pai que dá a vida por seus filhos, sem exigir nada em troca...

Você é um Ozanam, quando exige do mundo que seja justo com os pobres...

Você é um Ozanam, quando ama de verdade a SSVP, servindo os pobres e os outros vicentinos...

 

Não é necessário ser famoso, para ser Ozanam...

Não é necessário ser letrado...

Não é necessário falar línguas...

Não é necessário ser professor e doutor...

É preciso ser o que Ozanam foi como pessoa humana, como pai, como filho, como amigo, como cristão...  Enfim, como servidor.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Alguns Títulos de Honra de Antonio Frederico Ozanam


Alguns títulos de honra de Antonio Frederico Ozanam

(fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo)

·       Membro da Academia Tiberiana de Roma (1841)

·       Membro da Academia dos Árcades - Roma (1844)

·       Cavaleiro da Legião de Honra (1846)

·       Membro correspondente da Academia Real da Baviera (1847)

·       Membro da Academia Religiosa Católica de Roma (1847)

·       Membro da Academia de Lion (1848)

·       Membro da Academia de Florença (1853)

domingo, 10 de novembro de 2013

Alguns poemas de Antonio Frederico Ozanam


Alguns poemas de Ozanam


Poema de Antonio Frederico Ozanam a sua esposa, Amélia Ozanam
(escrito na ocasião de seu casamento)

“Deixo que a felicidade viva em mim

já não conto mais os momentos nem as horas

O curso do tempo não é mais para mim

Que importa o futuro?

A felicidade do presente é a eternidade

Compreendo o céu!

Ajuda-me a ser bom e grato, cada dia, ao descobrir novas virtudes naquela que possuo”



Poema de Antonio Frederico Ozanam a sua filha, Maria Ozanam
“Quando o Bom Deus te fez, pequeno anjo sobre a terra,

para enxugar o pranto dos olhos de tua mãe,

eu pedi para ti todos os dons preciosos

que o Espírito Santo pudesse dar aos anjos do céu.

Para ti eu pedi suas graças imortais, sua pureza,

sua fé, tudo, exceto suas asas,

com receio de que pudesses sentir algum dia,

o desejo de retornar à altura sem nós e de fugir. 

Pelo fato de não teres duas asas ligeiras,

elas não podem te levar ao céu

elas defenderiam tua fronte dos ardores do sol,

agitariam o ar em movimento suave,

te fariam respirar, fresco e perfumado.

Tua cabeça, agora, se inclina como simples flor,

mal suportando o peso do calor.

Quem me dera o vento brando provindo de suas pregas

entregar a meu anjo amado o ar puro do paraíso!”



Poema de Antonio Frederico Ozanam sobre os problemas da vida
“O melhor meio de julgar os assuntos da vida é utilizar a calma e o desapego, olhando os problemas do alto, como se fossem distantes”



Poema de Antonio Frederico Ozanam sobre a própria poesia
“Deus é o autor de toda a poesia.  Ele a espalhou em profusão pelo universo, e, não só quiz que o mundo fosse bom, mas que ele também fosse belo”

 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013


TESTAMENTO DE ANTONIO FREDERICO OZANAM (fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo)

“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.  Assim seja.

No dia de hoje, vinte e três de abril de mil oitocentos e cinquenta e três, no momento em que completo meu quadragésimo aniversário, preso das inquietações de grave moléstia, sofredor do corpo mas são de espírito, escrevi em poucas palavras minhas últimas vontades, propondo exprimi-las mais amplamente quando tiver mais força.

Entrego minha alma a Cristo, meu Salvador.  Aterrado pelos meus pecados, mas confiante na misericórdia infinita, morro no seio da Igreja Católica, Apostólica, Romana.  Conheci as dúvidas do século presente.  Toda a minha vida, porém, levou-me à convicção de que não existe repouso para o espírito e o coração a não ser na fé da Igreja e na sujeição à sua autoridade.  Se algum valor empresto a meus longos estudos, é porque me outorgaram o direito de suplicar a todos aqueles que eu amo que se conservem fiéis a uma religião na qual encontrei a luz e a paz.

Minha prece suprema à minha família, à minha esposa, à minha filha, a meus irmãos e cunhados e a todos os que deles nascerem é que perseverem na fé, não obstante as humilhações, os escândalos e as deserções de que serão testemunhas.

À minha terna esposa, que constituiu a alegria e o encanto de minha vida, e cujos meigos cuidados, durante um ano amenizaram todos os meus males, dirijo um adeus, breve como todas as coisas da terra.

A ela, minha gratidão e minha bênção.  Somente no céu, onde a espero, poderei render-lhe todo o amor que merece.  À minha filha, lanço a bênção dos patriarcas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.  É bem triste para mim não poder consagrar-me por mais tempo à obra de sua educação.  Confio-a, porém, sem amargor à sua virtuosa e tão querida mãe.

A meus irmãos, Afonso e Carlos, toda a minha gratidão pelo afeto que me consagraram.  A meu irmão Carlos, de modo especial, por todas as preocupações que lhe causou minha saúde.  À minha mãe, à senhora Soulacroix e a Carlos Soulacroix, até nosso encontro junto àqueles que unidos pranteamos.

Uno em um só pensamento, todos os meus parentes e amigos que aqui deixo de nomear.  Desejo, contudo, que meu tio Haraneder, meus primos Jaillard, Noirot e Ampère, a quem tanto devo, e Henri Pessonneaux, Lallier, Dufieux, meus mais velhos amigos, aqui encontrem uma lembrança.

Agradeço mais uma vez a todos que me prestaram serviços.  Peço perdão das vivacidades e dos meus maus exemplos.  Solicito as preces de todos os meus da Sociedade de São Vicente de Paulo, dos meus amigos de Lion.  Não vos deixeis amortecer por aqueles que vos disserem: “Ele está no céu”.  Orai sempre por aquele que tanto vos ama, mas que muito pecou.  Apoiado em vossas preces, meus caros e bons amigos, deixarei a terra com menos temor.

Espero firmemente que não nos separemos e que ficarei convosco até virdes a mim.

Que sobre vós todos permaneça a bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Assim seja!

Pisa, 23 de Abril de 1853