quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Planejar bem o ano


Planejar bem o ano

As leituras do ultimo domingo (5 de janeiro) foram muito inspiradoras, em especial para quem se move pela vocação vicentina.  Três mensagens pelo menos nos saltam aos olhos: a necessidade de planejar bem o ano; o deixar-se guiar pela luz de Deus, e a necessidade de não ter medo (se seguimos o plano de Deus para nós).

Primeiramente, a necessidade de definir um plano para nós.  Na carta aos Efésios (Ef 3,2-3a.5-6), São Paulo vai logo dizendo que tem um plano para si mesmo: “se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito”.

Neste período do ano, estabelecemos muitas metas: um novo emprego, uma nova etapa nos estudos, a perda de peso, o inicio de um esporte, a compra de algo que sempre sonhamos.  Esta prática é muito salutar: devemos ter um plano para a nossa vida, no longo prazo e no curto prazo.  Quando temos metas de longo prazo, as dificuldades do curto prazo passam a ser vividas com muito menos sofrimento, porque o que importa é alcançar as metas.  Um plano de metas dá a nós uma perspectiva da construção do futuro e nos facilita na escolha das “batalhas a lutar e as batalhas a ignorar”.  Não é necessário ter um plano de mudança do mundo; podemos somente tentar mudar a nós mesmos, através da aproximação a Deus, servindo aos outros e rezando mais: em essência, nisto consiste a vivência das três virtudes teologais expressadas por São Paulo: fé, esperança e caridade.  Ao sentarmos para escrever nosso plano para o ano, ofereçamo-lo a Deus, como súplica por nossa própria santificação, uma oferenda alegre, empreendedora e repleta da esperança do aumento de nossa intimidade com Ele.  Uma vez escrito o plano, basta por “mãos à obra” e fazer boas escolhas.  No Evangelho de Mateus (Mt 2,1-12), os reis magos primeiro louvaram ao Menino Jesus e depois deixaram os presentes (e eram presentes de muito valor): “Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”.

Em segundo lugar, as leituras nos exortam a nos deixar guiar pela luz de Deus.  O profeta Isaías (Is 60,1-6) já nos diz que, com o nascimento de Jesus, chegaria a luz e ela seria a fonte de toda a esperança: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti.  Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora”.  Se o nascimento de Jesus não for causa de uma mudança em nossa vida, para melhor, então, não valeu a pena Jesus ter nascido.  Não podemos nos colocar na contemplação da beleza estética do presépio, porque a gruta de Belém é, na realidade, o nosso interior: Jesus nasce em cada um de nós.  Mas Ele está no fundo; é preciso caminhar e se deixar guiar pela estrela, para alcançar a gruta: “e a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino”.  Não foi fácil encontrá-Lo para os Reis Magos: tiveram que caminhar muito, carregando os presentes e, certamente, passando por dificuldades no caminho.  Mas quando O encontraram, suas vidas mudaram, porque a estrela que estava no céu se transformou na Luz para a vida: “ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande”.

Finalmente, com o seu nascimento, Jesus nos motiva a não ter medo de nada, se seguimos a Sua estrela, o seu caminho.  A expressão “não tenhais medo” aparece dezenas de vezes na Bíblia.  Foi mencionada inúmeras vezes pelos Papas João Paulo II e Bento XVI: quem não se lembra das célebres homilias das missas de inicio de seus papados?  Ao nos defrontarmos com situações de medo, podemos ter duas opções: a reação pela natureza (como fez Herodes) ou a da graça (como fizeram os Magos).  Herodes imediatamente percebeu a ameaça que um pobre menino, nascido em uma gruta, representava para os poderosos: ele viu que o menino não era igual aos outros, porque ele transformava as pessoas, dando-lhes uma esperança eterna, o que ele, como líder político não conseguia fazer.  Sua reação foi forjar uma situação de traição covarde, ardilosa, feita às escondidas.  “Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido.  Depois os enviou a Belém, dizendo: ´Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo´.”

Quando finalmente nos defrontamos com a Estrela, com a Luz divina que está dentro de nós, nossa reação diante do medo deve ser de absoluta confiança, porque Deus sempre nos indicará o caminho.  No caso dos Magos, Ele lhes falou por meio do sonho (“Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.”).  Em nossa vida cotidiana, Ele nos fala através dos eventos mais simples.  Para nós, que temos a vocação vicentina, a Estrela-guia nos aparece no templo divino da casa do assistido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário